O papel da Inovação no Futuro da Construção Civil pós Pandemia

A pandemia da COVID-19 trouxe impactos significativos em toda a cadeia de abastecimento que envolve o “macro setor” da construção civil. Em números, o índice de confiança do empresário apresentado pelo recente estudo do CNI¹ havia indicado uma queda abrupta para 34,5 pontos no mês de abril (período crítico), motivado por um cenário de insegurança frente às transições político-econômicas. Por outro lado, nos últimos meses (setembro e outubro), houve um salto significativo deste índice para 62 pontos, demonstrando um novo reaquecimento com otimismo no setor. O que se sabe é que a instabilidade constante aos fatores externos e internos ainda é um ponto de interrogação entre especialistas e empresários do ramo, que destacam para um retorno lento e gradual recuperação dos negócios. Nessa perspectiva, como as empresas podem se preparar e se tornarem mais resilientes às oscilações atípicas do mercado? De todo o obscuro cenário que convivemos e que iremos perpassar, uma coisa é certa, precisamos nos tornar mais competitivos e produtivos para os próximos anos.

Falar em inovação ainda é pouco usual na grande maioria das empresas da construção civil. O investimento em novas soluções tecnológicas, muitas vezes, é entendido como um “custo operacional” e adjacente ao processo produtivo, o que invariavelmente descaracteriza a sua real função em estimular uma mudança de conceitos, conversão de valores e um rompimento de antigos paradigmas. Um estudo recente da McKinsey & Company² (Junho de 2020) sobre “Innovation in a crisis: Why it is more critical than ever” destaca que 90% das mais de 200 organizações entre diferentes segmentos industriais esperam que as consequências da COVID-19 mudem a maneira de como fazer os negócios nos próximos 5 anos, enquanto 85% acredita em uma maior customização das necessidades dos usuários. Na contramão desse trajeto, algumas empresas estão desprezando a inovação para se concentrar em 4 fatores; fortalecer o negócio principal, buscar oportunidade em espaços já conhecidos, conservar o dinheiro e minimizar riscos até que se tenha mais “clareza” e definição do mercado.

A provocação que fica é: “Esperar o momento certo para inovar ou se oportunizar para um novo nicho de mercado, baseado em conversão de valor?”

Te convido para dar uma lida nesse post da StartSe³ que destaca algumas Construtechs que nasceram com “DNA da inovação” e que utilizaram a crise como mola propulsora para gerar oportunidades com soluções criativas.

Referências:

¹CNI - CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA - ICEI ÍNDICE DE CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL. Acesso em: 16.out.2020. Disponível em: https://bucket-gw-cni-static-cms-si.s3.amazonaws.com/media/filer_public/16/57/165785e4-68bc-4f67-9065 d23db304041/indicedeconfiancadoempresarioindustrial_outubro2020.pdf

²MCKINSEY & COMPANY -“Innovation in a crisis: Why it is more critical than ever”. Acesso em: 16.out.2020. Disponível em: https://www.mckinsey.com/business-functions/strategy-and-corporate-finance/our-insights/innovation-in-a-crisis-why-it-is-more-critical-than-ever

³STARTSE. 5 Startup encontraram soluções para driblar crise da Construção Civil: Conheça elas... - Acesso em: 16.out.2020. Disponível em: https://www.startse.com/noticia/startups/5-startups-encontraram-solucoes-driblar-crise-construtech-0319


 

Moisés Ferreira Eleutério Silva

Construção Civil - SENAI CIMATEC


Bacharel em Eng. Civil e Eng. Sanitária e Ambiental, Mestre em Engenharia Civil, Pós Graduando em Gestão com ênfase em Liderança e Inovação, Professor do SENAI CIMATEC, atuando como consultor e pesquisador em projetos envolvendo novas Tecnologias Construtivas, Hidráulica & Saneamento e Gestão Sustentável das Edificações.
 

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