Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis – CBENC

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Anualmente, a Abenc promove e realiza o CBENC. No período de 19 a 21 de julho deste ano, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, estará ocorrendo a 23ª edição deste congresso.

Os CBENCs têm, historicamente, apresentado uma programação de conteúdo técnico de elevado nível abrangendo diversas especialidades da engenharia civil e o 23º CBENC está inovando com a oferta de cursos para os congressistas.

Apresentam um público que é primordialmente formado por profissionais, professores e estudantes de engenharia civil, mas que tem uma característica interessante: a grande participação de conselheiros das Câmaras Especializadas de Engenharia Civil de, praticamente, todos os Creas.

Esta característica propicia uma importante interlocução entre os profissionais que participam das atividades do Sistema e os demais com a troca de importantes informações relativas aos ambientes de cada um.

Apesar da rica programação sempre apresentada nos CBENCs, o ponto alto do congresso tem sido, e sempre será, a sua reunião final realizada sob a forma de assembleia geral onde são firmadas posições políticas internas e externas ao Sistema e elaborada a carta do congresso.

Neste momento, todos podem se manifestar para propor os itens que constarão na carta, bem como na elaboração do seu texto.

Ao final, uma lista de itens que podem ser sugeridos para constarem na carta e, como exemplo de uma das possíveis formas de estruturação da carta, transcrição da Carta de Salvador do 18º CBENC.

Valter Sarmento

Engenheiro Civil

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Exemplos de itens:

  • Livro de Ordem
  • EAD para engenharia civil
  • Conselho próprio para engenheiros civis
  • Sustação de atribuições de competências através de resoluções
  • Situação da construção civil em face das ações judiciais em curso e da crise política
  • Fiscalização do exercício profissional
  • Eleições no Sistema Confea/Creas com voto eletrônico obrigatório
  • Outros de livre escolha dos congressistas

18º Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis – CBENC

Salvador, 8 a 11 de novembro de 2012

Carta Aberta de Salvador

No aprimoramento da configuração da sociedade mundial, a Engenharia Civil, como arte, ciência, profissão e atividade fundamental para o atendimento das necessidades da humanidade tem um papel preponderante entre as demais atividades humanas, sejam de cunho tecnológico, social, político ou econômico.

Qualquer nação que almeje um desenvolvimento justo socialmente e sustentável economicamente há que dispor de um capital intelectual formado para identificar, definir, projetar, construir e manter em operação ótima os mecanismos de atendimentos de suas necessidades e seus objetivos. Nesse contexto, é visível a importância e relevância com que a Engenharia Civil se apresenta naturalmente.

Vimos, neste congresso, alguns poucos dos muitos aspectos merecedores de serem discutidos com mais amplitude e profundidade para que a Engenharia Civil possa assumir o papel e o espaço que lhe são devidos na construção desse país. País tão diverso, tão desigual, mas tão uniforme no que diz respeito à sua incapacidade de resolver permanentes e graves problemas.

Transitamos na programação por temas motivadores para que os engenheiros civis retomem para a profissão a nobreza e o respeito que a mesma vem, inquestionavelmente, perdendo ao longo das últimas décadas.

O fenômeno de perda de prestígio pelo qual vem passando a profissão tem várias causas: umas perfeitamente visíveis, outras imperceptíveis ou julgadas irrelevantes. Talvez sejam estas últimas as mais perigosas.

Como uma das consequências desse fenômeno, olhemos o que ocorre na administração pública. Nela podemos conceituar e distinguir alguns setores distintos que a compõem como o jurídico, o econômico, o social e o de infraestrutura, dentre outros.

Ficam claras duas questões que dizem respeito aos engenheiros civis: o setor em que estamos inseridos não é o de melhor remuneração na administração pública e é o que conta com o menor apoio político atuante e estruturado. E o que passa no setor público certamente se reflete no setor privado.

Nessa constatação, há de se diagnosticar o que é a causa e o que é o efeito para o fato do engenheiro civil, profissão essencial para o setor de infraestrutura, não ter o mesmo tratamento dispensado a outros profissionais no serviço público de mesmo nível de formação.

A questão que passa a se sobrepor é a de como diagnosticarmos, equacionarmos e resolvermos essa inequação onde a soma dos nossos interesses com as necessidades do país na área de infraestrutura é bem maior do que as condições de formação e de trabalho que nos são oferecidas.

Falta, evidentemente, como um dos termos da inequação o engajamento político da classe dos engenheiros civis. Não apenas de política partidária, como também de política profissional.

Toda a sociedade reconhece o engenheiro civil como um profissional de fundamental importância, mas no sistema CONFEA/CREA, em se levando em conta a nossa participação relativa na formação e manutenção do mesmo, somos desconsiderados, espremidos e possuidores de pouca voz.

O 18º CBENC afirma que não haverá alteração do atual estado sem que os engenheiros civis se unam para defender os seus mais legítimos interesses. Isso é de extrema importância.

 É necessário que os engenheiros civis se fortaleçam e ajam unidos. A única entidade que se propõe a representar, no âmbito nacional, exclusivamente os engenheiros civis, é a ABENC. É ela, portanto, a quem cabe a missão de aglutinar a classe em torno da defesa de seus interesses.

Os cortes de atribuições que a Engenharia Civil vem sofrendo, e ainda poderá sofrer, ocorrem dentro do nosso sistema profissional, de forma ilegal e inadmissível, sem que as informações desses fatos tenham a necessária capilaridade para chegar a todos, impossibilitando qualquer reação da comunidade profissional. A tarefa de manter os profissionais informados cabe às entidades.

Esse tratamento desigual e desequilibrado é quase um convite, um estímulo, para que os engenheiros civis se retirem do atual sistema profissional e tentem criar sua própria casa. Essa situação já motivou a apresentação de um projeto no Senado para a criação da OBENC – Ordem Brasileira de Engenheiros Civis. Foi arquivado, mas esse assunto precisa ser continuadamente discutido.

A ABENC, como entidade representativa, tem que se posicionar como pensam e desejam seus representados. Os engenheiros civis precisam participar ativamente da ABENC, para que ela seja o instrumento de defesa dos seus interesses manifestos e tenha condição de atuar com independência e liberdade de ação.

Caberá também à ABENC, dentre outras ações de caráter imediato e incisivo, alertar à sociedade que a proliferação de cursos de profissões especialistas de limitada formação e curta duração, em detrimento do investimento na qualificação do engenheiro civil generalista, constitui perigo e entrave para o desenvolvimento.

Os termos desta Carta foram aprovados pelos congressistas presentes à Sessão Plenária do 18º Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis – CBENC que também concordaram com a indicação da cidade de Belém-PA para a realização do 19º CBENC e do Distrito Federal para a realização do 20º CBENC.

Salvador, 9 de novembro de 2012.

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