DERBA: O Enterro de uma marca

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Em março de 2015, ao tomarmos conhecimento da decisão do governador do estado de extinguir o Derba, publicamos a matéria abaixo no Jornal A Tarde, a qual resgatamos neste ano em que a valorosa autarquia completaria 100 anos de existência.

Hoje, deveria ser um momento de gáudio e festa para todos os baianos, pois poucos estados brasileiros teriam esta condição especial de comemorar o centenário de uma organização detentora da admiração de toda a população pelos seus serviços prestados com eficiência e, sobretudo, com dedicação e amor dos seus servidores.

Infelizmente, uma decisão política que enterrou toda uma história rica de realizações transformou uma data que poderia ser de alegria e de comemorações em uma data de lamentos e saudades.

Solidarizo-me com todos os que compartilham desse sentimento de perda, principalmente os do quadro de servidores do qual fiz parte, com incomensurável orgulho, onde cheguei a ocupar a honrosa função de diretor do Serviço de Administração.

Mas, apesar do ocorrido, o Derba ainda vive no coração dos baianos.

Valter Sarmento

Vice-Presidente Nacional da Associação Brasileira de Engenheiros Civis

 

“DERBA – Sepultada uma marca de valor inestimável.

Em 2007, quando o Derba comemorou 90 anos, o então secretário da Infraestrutura, Batista Neves, deu a notícia de que o governador Jaques Wagner iria reestruturar a autarquia para que ela retomasse o papel histórico que sempre desempenhou no suporte ao desenvolvimento do estado. Nada mais justo, nada mais compreensível. Hoje, com a entidade já perto de se tornar centenária, fato que seguramente seria comemorado como digno de orgulho por qualquer ente federativo, o governo atual decide extingui-la e, parece, arguindo apenas razões econômicas, ou financeiras. Deve ser lembrado, desde já, que economizar não é apenas se gastar pouco; é, essencialmente, se gastar bem.

Evidentemente que é salutar a adoção de medidas de austeridade nos gastos públicos do nosso estado. Também são auspiciosas as notícias oriundas do Planalto com relação às novas posturas no trato das questões fiscal e monetária do Brasil. Tais condições são necessárias ao crescimento, mas não são suficientes. A essência do crescimento está no investimento criterioso em infraestrutura.

E como se fazer ou incentivar investimentos criteriosos em infraestrutura se o estado não dispuser de entidades autônomas e especializadas para balizar os seus projetos político-econômicos através de estudos e procedimentos técnicos? A desestruturação neste sentido, pode levar a administração pública a institucionalizar o RDC, ou contratos de porteira fechada, onde etapas importantes inerentes aos procedimentos decisórios, a exemplo do desenvolvimento dos projetos de obras e serviços de infraestrutura, ficariam à mercê apenas das visões e critérios dos contratados.

Em um modelo como tal, é até possível que o estado gaste pouco em contratações de obras ou serviços de engenharia por estar reduzindo sua participação nos procedimentos administrativos. Mas não é uma garantia de que estará gastando bem. O estado não pode prescindir de entidades autônomas e especializadas para desenvolver ou analisar e recepcionar projetos de engenharia, promover e julgar licitações com pleno domínio do objeto e custos e, ainda, fiscalizar suas obras e serviços. Entidades que cumprem com tais papéis, como o Derba, não podem ser alijadas da administração pública brasileira”.

(Publicado no jornal A Tarde em 02/03/2015)

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns pelo artigo, excelente. Entrei em 1960 como estudante estagiário no antigo scer (contabilidade) e sair em 1995 no mesmo setor. Muitas alegrias e tb humilhações apesar de nunca ter sido político. Conseguir todas etapas profissionais no órgão com muito empenho e dedicação Saudades. Minha gratidão a Dr. Roberto Jacobina e a Nivaldo Andrade

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