O 23º CBENC E A CONJUNTURA

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O País atravessa uma das maiores crises políticas e econômicas da sua história, depois de experimentar, nas últimas duas décadas, um grau de desenvolvimento jamais, observado e respeitado pelo resto do mundo.

Dispensa até uma análise numérica sobre o papel da engenharia neste vertiginoso crescimento. O próprio Sistema CONFEA/CREAS, principalmente através de algumas entidades que dele fazem parte, ao longo deste período tem promovido importantes análises, debates e estudos sobre a questão.

Exatamente pelo elevado grau de participação dos setores da Engenharia no crescimento econômico do país, destacadamente a Engenharia Civil, este segmento se caracteriza como principal caixa de ressonância da crise e a Engenharia Nacional depois de passar um período de expansão, nem só interna como por diversos territórios mundo afora, sofre profundamente os resultados do desastre promovido pelos setores, exatamente aqueles que têm o dever de zelar pelo patrimônio da Nação.

Sob o manto do combate à corrupção, destroem nosso Parque Industrial, abrindo as portas para a importação da mão de obra e da produção estrangeiras.

Com as Empresas Nacionais sendo levadas à banca rota. Com a ausência de investimentos na tecnologia e na produção internas, os Profissionais da Engenharia Civil, principalmente, veem extremamente diminuídas as suas possibilidades de progresso e a Profissão profundamente desvalorizada.

Diante deste quadro de crise profunda, temos observado que os diversos setores e segmentos da sociedade têm se debruçado buscando formas de se manifestarem, apresentando nem só a crítica  mas num esforço de apontarem caminhos. Instituições como Igrejas; representações profissionais como OAB, Conselhos, Associações, Sindicatos e Institutos dos mais diversos, se levantam contra esta situação.

As mais diversas profissões têm em suas entidades nacionais ou locais vozes que se fazem ouvir pelo país afora.

Os Profissionais da Engenharia Civil contam, no nível nacional com apenas uma entidade que é a ABENC, uma demonstração que ao longo do tempo tem sido frágil o seu nível organizacional.

No momento em que a ABENC realiza o seu 23º Congresso Nacional, era de se esperar que a sua pauta principal pudesse promover a reflexão sobre toda a conjuntura do país e dai entrar no canal de vozes e manifestações pela reorganização política e econômica do Brasil, dando a oportunidade aos profissionais que lá comparecerem de contribuírem para o apontamento da saída da crise.

Ao observarmos então a pauta do 23º Congresso, constatamos que isto está descartado, pois que uma pauta totalmente desprovida de pontos que possam promover discussões e deliberações acerca do momento que vivemos.

Fica apenas guardada a expectativa de que a nossa única Entidade Nacional mude o seu Norte e se inclua definitivamente no rol das entidades representativas da sociedade que para além de pensar no imediato, comece a escrever uma história de agente verdadeiramente preocupado com o futuro.

 

Engenheiro Civil GERINALDO COSTA ALVES

Membro da Representação Regional da ABENC-Ba em Feira de Santana-Ba

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