Os 100 anos do Derba

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Caso não tivesse sido extinto, em fevereiro de 2015 – de maneira precipitada e sem a discussão necessária com a sociedade civil organizada – pela reforma administrativa do governador  Rui Costa, o Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia, o antigo Derba, estaria completando um século de uma profícua existência na próxima quinta-feira (31 de agosto). Também consagrada aos servidores do Derba, a data coincide com o Dia do Rodoviário Baiano, instituída pela Lei Estadual nº 2.513, de 2 de fevereiro de 1968, de autoria do deputado estadual Gabino Kruschewsky.

Ao longo de quase cem anos (exatamente 97 anos e meio)  o antigo Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia planejou, projetou, construiu, conservou e recuperou quase 20 mil kms da malha rodoviária estadual, inclusive as estradas vicinais, colaborando decisivamente  para a integração regional e o desenvolvimento da Bahia. Quando foi extinto deixou um patrimônio estimado em 40 bilhões, compreendendo os 19.089,50 km de rodovias,hoje bastante danificadas, dos Parques das vinte Residências de Conservação e Melhoramentos e os  equipamentos; patrimônio esse que estar  sendo  dilapidado.

Não há no Estado praticamente um município que não tenha recebido a presença do Derba, de seus homens e equipamentos trabalhando nas estradas. Por isso, a marca Derba está inscrita no imaginário de várias gerações de baianos O Derba trabalhava com denodo, amor à causa rodoviária e com economia de custos, já que procurava fazer o melhor com o menor dispêndio possível do dinheiro público. Infelizmente com a sua extinção, a tendência é de que a conservação das estradas baianas fiquem até quatro vezes mais caras, conforme estudos  já realizados, uma vez que as obras serão entregues a empresas terceirizadas e os consórcios municipais que não detém a mesma expertise, o mesmo padrão de qualidade e a o mesmo rigor na fiscalização que caracterizaram a atuação do Derba.

 

Em sua longa existência, o Derba foi considerado uma das melhores escolas da engenharia rodoviária do Brasil, por onde passou uma geração de bons engenheiros e técnicos da Bahia, muitos deles professores da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, com curso de pós-graduação nos Estados Unidos, na França, na Alemanha e em outros países. Merece destaque a seriedade, a honestidade e lisura com que a família derbiana trabalhava. Tal comportamento mereceu o seguinte elogio do governador Juracy Magalhães que, ás vésperas de deixar o cargo, em 1963, reconheceu publicamente:

 

“Nunca ouvi dizer que empreiteiros fossem subornar engenheiros e técnicos do Derba – este é um depoimento que dou para a Bahia e para o Brasil e oxalá que a administração pública tivesse sempre

organizações da capacidade técnica do Derba, da honestidade, da devoção à causa pública como tem o Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia”  Que lição e exemplo de serviço público para estes tempos de “tenebrosas transações” (como diria Chico Buarque) perpetradas pelos políticos e empreiteiros implicados na   Operação Lava Jato. Para o mesmo Juracy, o Derba trabalhava “em todos os os governos, em qualquer governo e apesar dos governos”.

 

Para celebrar “O Dia do Rodoviário baiano e os 100 anos do Derba”, a Assembleia Legislativa da Bahia, realiza uma Sessão Especial, na próxima quinta-feira, por iniciativa do deputado Hildécio Meireles, presidente da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo. Na oportunidade será lançado o livro “O Derba e os 100 anos do Rodoviarismo Baiano”, de autoria do jornalista Elieser Cessar, que resgata a trajetória da saudosa autarquia.

 

O Derba vive!

Viva o Derba !

 

* Nilton Borges Ramos é engenheiro civil e presidente da Asderba/Sindicato.

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