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Associativismo e os Engenheiros Civis

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O associativismo é a base de organização de qualquer grupo de entes, naturais ou jurídicos, que desejam promover ou defender interesses comuns. É a única possibilidade das consciências e necessidades individuais levarem seus anseios à sociedade.

 

Pleitos individuais não terão jamais a capacidade de se qualificarem como de interesse coletivo por não estarem providos da condição de serem representativos de um segmento da sociedade. Serão sempre defesas de interesses pessoais, e por mais justos e procedentes que sejam, dificilmente repercutirão seus efeitos para a população em geral e para terceiros, diretamente interessados.

 

A agregação e aglutinação de esforços é condição sine qua non para que legítimos interesses individuais possam ser tratados, nos ambientes em que os mesmos devam ser levados em consideração, com o peso e respeito proporcionais à importância social e política do conjunto dos indivíduos que pretendem ser representados.

 

Nós, engenheiros civis, indiscutivelmente somos vistos como profissionais prestadores de serviços essenciais à sociedade, daí ser regulamentada a nossa profissão. Mas a nossa profissão ainda não é visível socialmente no sentido de possuir uma identidade depositária de conhecimentos e recursos úteis para protagonizar grandes discussões de caráter social e político.

 

A prova inconteste desta realidade é que a engenharia civil, como corpo de cidadãos qualificados, natural interveniente de muitos processos sociais, políticos e econômicos, nunca é demandada para participar dos grandes foros de debates, públicos e privados, dos mais variados temas em todas as esferas; somos confundidos com o “negócio” engenharia civil e tidos como representados pelo Sistema Confea. A verdade é que nos acomodamos e aceitamos tais situações que nos causam efeitos deletérios.

 

Explica-se, assim, o porquê de raramente uma entidade representativa de engenheiros civis ser convocada para expressar a posição do profissional engenheiro civil em diversas situações de interesse público e onde nossa colaboração pode ser essencial para o aprimoramento dos resultados buscados. A isso podemos chamar de ausência de identidade.

 

Mas, à vista de uma série histórica de acontecimentos, e de alguns que no momento se apresentam como de cuidados prementes – ações judiciais contra o Confea e outros conselhos profissionais, e a tentativa do Confea em restringir nossas competências legais através de um novo normativo interno – os engenheiros civis necessitam fortalecer sua identidade própria para se situarem como um segmento importante da sociedade. Assim, seus interesses serão melhores defendidos e suas posições levadas em consideração. E o caminho adequado e eficaz para tanto é atuarem associativamente.

 

A Abenc é a entidade nacional que representa os engenheiros civis. Mas, para que possa explorar seu potencial e atuar com independência, precisa do apoio dos engenheiros civis. Precisa ser visível para todos. E isto depende do empenho dos atuais associados e dirigentes, principalmente dos presidentes dos departamentos estaduais, células fundamentais da nossa entidade.

 

Quanto mais ativos os departamentos, mais visível se tornará a nossa entidade. Há que se investir na visibilidade da Abenc.

 

Valter S. M. Sarmento

Vice-Presidente da Abenc Nacional

Crea-BA convida para 9º CEP Regional Salvador, dia 9 de maio, às 9h

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Nesta segunda, 9 de maio, às 9h, na sede do Crea-BA, acontece o evento regional Salvador do 9º Congresso Estadual de Profissionais (CEP), o mais importante fórum de discussões sobre o papel do Sistema Confea/Crea e dos profissionais a ele vinculados, para o desenvolvimento nacional. A defesa da Engenharia e da Agronomia é o tema central do encontro que irá debater as propostas aprovadas nas Reuniões Preparatórias. A 9° edição do Congresso Nacional de Profissionais (CNP) será realizado entre os dias 2 e 3 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR).

 

O objetivo do encontro nacional é aprovar propostas para o Sistema Confea/Crea e Mútua. Nos primeiros encontros serão definidos os delegados que representarão os profissionais de suas regiões no congresso estadual, que ocorrerá nos dias 10 e 11 de junho.  Cada inspetoria será representada por três delegados, o inspetor chefe responsável pela inspetoria, um outro inspetor e mais um profissional sem mandato no conselho, ambos escolhidos pelos presentes na reunião.

 

Eixos temáticos:

A função social e o fortalecimento da engenharia para a sociedade

A capacidade de inovação tecnológica dos profissionais da engenharia

O mercado de trabalho e a carreira do profissional da engenharia

Inscrições e informações através do telefone: (71)3453-8938 email:cep@creaba.org.br


Etapa Regional 

Regional Norte – Cidade sede Juazeiro
Data: 06.05.2016

Regional Salvador
Data: 09.05.2016 

Regional Sudeste – Cidade Vitória da Conquista
Data: 13.05.2016 

Regional Sul – Cidade sede Itabuna
Data 20.05.2016 

Regional Oeste – Cidade sede Barreiras
Data: 25.05.2016 

Regional Recôncavo – Cidade sede Feira de Santana
Data: 27.05.2016 

Evento Estadual – Salvador Bahia

10 e 11 de junho de 2016 
Auditório do Hotel Sheraton da Bahia

CREA-BA
Rua Professor Aloísio de Carvalho Filho, 402
Engenho Velho de Brotas
Salvador – BA
www.creaba.org.br

Abenc-BA apoia ciclo de debates sobre infraestrutura e desenvolvimento, em homenagem aos 100 anos do Instituto Politécnico da Bahia

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Os 100 anos do Instituto Politécnico da Bahia serão comemorados em 2016 com três grandes ciclos de debates na área tecnológica. O primeiro acontece no dia 12 de maio, das 8h às 17h, no auditório do Crea-BA, e vai prestar uma homenagem ao engenheiro Vasco Azevedo Neto, com o tema central: “Transporte, Mobilidade Urbana e Desenvolvimento”.

A proposta da iniciativa, promovida pelo IPB, Escola Politécnica da Ufba e apoio da Abenc-BA, é reunir engenheiros, arquitetos, urbanistas, professores, estudantes e interessados, para debater questões ligadas as áreas de infra estrutura e industrial, bem como despertar a atenção dos discentes sobre e a importância da Engenharia e áreas afins na construção de um desenvolvimento sustentável e socialmente justo para o país.

Divididos entre dois temas centrais: Logística portuária no Estado da Bahia: diagnóstico e perspectivas e Mobilidade Urbana e seus impactos, o ciclo vai contar com palestras e mesas redondas, com presenças de especialistas renomados no Estado.

Os próximos debates acontecerão em julho, homenageando o engenheiro Jose Walter Bautista Vidal, com o tema “Energia, desenvolvimento e sustentabilidade”; e em outubro, rememorando Carlos Espinheira de Sá, com discussões voltadas para a “Engenharia industrial, desenvolvimento e sustentabilidade”.

Sobre o IPB: O Instituto Politécnico da Bahia é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 12 de julho de 1896. Tem como missão congregar todos os profissionais de diversas habilidades da Filosofia, Ciências e Técnicas da Engenharia; e incentivar o desenvolvimento do ensino profissionalizante de todos os graus; e as Ciências e Técnicas da Engenharia, promovendo para este fim, cursos, debates, conferências e publicações.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

12 de maio – manhã – Logística portuária no Estado da Bahia: diagnóstico e perspectivas

8h – Abertura

8h30 às 9h20 – Palestra de Sergio Faria (UFBA- Comitê de Portos -Fieb)

9h20 às 10h30 – Coffee-break

10h30 às 11h30 – Mesa redonda

Moderador- Luis Fernando Queiroz – Associação Comercial da Bahia

Debatedores: Marcus Cavalcanti (SEINFRA), José Rebouças(CODEBA), Paulo Vila (USOPORT)- Sergio Faria (UFBA- Comitê de Portos-Fieb)

11h30 às 12h30 – Debates

12 de maio – tarde – Mobilidade Urbana e seus impactos

14h às 14h50 – Palestra de João de Alencar

14h às 15h – Coffee-Break

15h às 16h – Mesa Redonda

Moderadora – Ilce Marília – (Politécnica UFBA-DETEG)

Debatedores: Horacio Brasil (Setps), Karl von Hauenschild, Jose de Alencar, Marcos Galindo (Infraestrutura FIEB)

16h às 17h – Debates

Mais informações:

Tel: (71) 3331-8481 –

E-mail: secretaria@ipolitecnicobahia.org.br

Site: www.ipolitecnicobahia.org.br

Foto: Via Expressa (Manu Dias – Gov BA)

Congresso internacional de desastres em massa tem nova edição

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Resgate, segurança, perícia, saúde e tecnologia são temas do 2º Congresso Internacional de Desastres em Massa (Cidem), evento organizado por professores Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) que reúne palestrantes e especialistas de diversos países para discutir os mais recentes avanços em pesquisas e desenvolvimento técnico. Neste ano, o congresso será realizado em Salvador, entre os dias 10 e 12 de junho, no Hotel Fiesta e na Arena Fonte Nova e tem como tema central ‘Segurança para grandes eventos – Uma atenção mundial’.


Na última edição do Cidem realizada em Feira de Santana, em 2015, 1.100 pessoas participaram das palestras e das atividades de simulação de desastres. “Em 2016 resolvemos levar o evento para a capital baiana porque é ano de Olimpíadas e a Arena Fonte Nova será palco de jogos. É uma oportunidade para promover uma discussão com especialistas sobre eventos com grandes multidões”, explica Jeidson Marques, coordenador do evento.


Está prevista a participação de agentes de diversos estados brasileiros, membros de órgãos locais, regionais, nacionais e internacionais que agem em situações de desastres, dentre eles a Defesa Civil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros Militares, Samu, SMT, ViaBahia, Polícia Militar, Bope, Graer, Polícia Civil, Polícia Técnica, Polícia Federal, Exército, Marinha, Aeronáutica, Interpol e universidades.


As palestras serão realizadas nos dias 10 e 11 de junho no Hotel Fiesta e a simulação de desastres na Arena Fonte Nova, no dia 12. O evento conta com o apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia, da Prefeitura Municipal de Salvador e do Corpo de Bombeiros.


Informações sobre inscrições, programação e publicação de trabalhos científicos estão disponíveis no site http://www.cidem2016.com.br

 

Fonte: http://www.uefs.br/2016/04/201/Congresso-internacional-de-desastresem-massa-tem-nova-edicao.html

 

Foto: http://www.copa2014.gov.br/

 

Confira a primeira edição da revista eletrônica da ABENC-BA

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A primeira edição da Revista Eletrônica da Abenc-BA já está no ar! Acesse e confira artigos, notícias, além de dicas de livros. Não deixe de dar a sua colaboração. Participe da entidade que trabalha em benefício do profissional e da sociedade.

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Em decisão histórica, Plenário do Confea aprova nova resolução de competências profissionais

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Em decisão histórica para o Sistema, o plenário do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia aprovou, na última terça-feira (19), a Resolução nº 1.073/2016, que regulamenta a atribuição de títulos, atividades, competências e campos de atuação aos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea. O novo normativo substitui a Resolução nº 1.010/2005 e passa a vigorar após publicação no Diário Oficial da União. O documento, que reúne as atribuições previstas nas leis relacionadas ao Sistema Confea/Crea, ainda não foi publicado no Diário Oficial da União. 

 

O assunto foi pautado pelas comissões de Organização, Normas e Procedimentos (Conp) e de Educação e Atribuição Profissional (Ceap) que, durante a sessão plenária extraordinária, apresentaram deliberação conjunta e histórico de debates sobre a Resolução nº 1.010/2005.

Para o presidente do Confea, eng. civ. José Tadeu da Silva, o normativo irá reforçar as competências de atuação dos registrados no Sistema, acompanhando as tendências tecnológicas e demandas atuais da sociedade. “O projeto de resolução preserva e amplia as prerrogativas dos profissionais que estão aptos para contribuir para desenvolvimento do nosso País”, afirmou.

 

Representando a Comissão de Educação e Atribuição Profissional (Ceap), o eng. civ. Osmar Barros Júnior pontuou que a resolução incentiva e valoriza a educação continuada, uma vez que prevê a extensão de atribuições a partir da conclusão de especialização, mestrado, doutorado e sequencial de formação específica. Durante a apresentação do projeto, o coordenador da Ceap explicou como se dará a concessão da extensão da atribuição inicial de atividades e de campo de atuação profissional: “Será em conformidade com a análise efetuada pelas câmaras especializadas competentes do Crea da circunscrição na qual se encontra estabelecida a instituição de ensino ou a sede do campus avançado, conforme o caso”. E adicionou que, conforme o documento, “a extensão de atribuição será permitida entre modalidades e grupos profissionais da engenharia e da agronomia”.

 

Questionado sobre a vigência da nova resolução, o coordenador da Comissão de Organização, Normas e Procedimentos (Conp), eng. agr. Mário Amorim, esclareceu que, embora o novo projeto substitua a Resolução nº 1.010/2005, “aqueles profissionais que tiveram atribuições definidas pela resolução anterior têm o direito preservado e as atribuições adquiridas mantidas”. 

 

Aprovado por unanimidade, o projeto de resolução teve o reconhecimento dos conselheiros federais. Para o eng. eletric. Jolindo Rennó, a elaboração do documento demandou o período necessário para a maturação que o tema requer. “Há tempos debatemos esse assunto, mas agora o ganho será muito grande para os profissionais registrados”. Em complemento, o eng. agr. Célio Moura enfatizou que os meses dedicados ao rito legislativo demonstram o cuidado que os conselheiros tiveram para amadurecer a Resolução nº 1.010/2005. “Foi um tempo que nos proporcionou mais oportunidades para debater a matéria”, afirmou. 

 

O eng. civ. Paulo Laércio Vieira elogiou a dedicação das comissões em trabalhar conjuntamente: “Isso demonstra entendimento uníssono que resulta nesse passo definitivo, nessa resolução tão esperada pelo Sistema Confea/Crea”.

 

Já o eng. civ. Marcos Motta Ferreira fez questão de enfatizar os ganhos que o normativo irá proporcionar aos profissionais. “Os critérios estabelecidos no projeto de resolução estão bem estabelecidos e rigorosos. Por isso, essa legislação vanguardista traz segurança para os registrados e proporciona reconhecimento aos que buscam capacitação continuada”. Também por esses motivos, o vice-presidente do Confea, eng. agr. Antônio Albério, disse acreditar que a novidade irá “atender à expressiva maioria dos registrados no Sistema”.

 

ENTENDA O CASO
O projeto de resolução aprovado substitui a Resolução nº 1.010/2005, que já foi suspensa por inúmeras vezes. A última suspensão foi em dezembro de 2015, quando foi identificada a necessidade de ajustes para que sua aplicação fosse de maneira uniforme nas ações dos 27 Conselhos Regionais. Assim como o novo normativo, o texto também tratava da regulamentação de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea, para efeito de fiscalização do exercício profissional. 

 

Por apresentar dificuldades de operacionalização, a Resolução nº 1.010/2005 foi tema de debates e pautada em consulta pública no Sistema Confea/Crea, a fim de serem coletadas manifestações dos Creas, do Colégio de Presidentes (CP), do Colégio de Entidades Nacionais (Cden), das Coordenadorias de Câmaras Especializadas dos Creas, dos conselheiros federais e dos profissionais registrados sobre o anteprojeto que viria a substituir a resolução. Em 2015, por exemplo, foram colhidas 107 contribuições no site do Confea. “As manifestações de muitos professores e profissionais que estão na prática enriqueceram o documento, que pode ser considerando um texto maduro, resultante de muitas discussões e reuniões conjuntas com o objetivo de encontrar a melhor saída para a Resolução nº 1.010”, lembra o coordenador da Conp, Mário Amorim. 

 

Numa segunda fase e em atendimento à Resolução 1.034/11, que esclarece o rito do processo legislativo no âmbito do Sistema, essas contribuições foram sistematizadas e passaram por instrução técnica–jurídica, pela Ceap, pela Conp para, assim, chegarem ao projeto de resolução apresentado na sessão plenária extraordinária de abril, em que a proposta foi aprovada por unanimidade.

 

Equipe de Comunicação do Confea

Vasco Neto, O Meu Mestre

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Nesta Escola Politécnica, tive muitos professores. Vasco Neto foi o meu Mestre. Apesar de toda a sua competência, consciência e sabedoria, mostrou-me, com seu exemplo, que a maior virtude de um homem é a humildade, exercida com muito trabalho.

 

Ser mestre é mais do que ser professor, extrapolando a palestra em sala de aula e sobretudo formando seguidores capazes de divulgar seus ensinamentos e continuar sua obra. Entre muitas ideias, Vasco Neto tinha alguns ideais, o mais forte dos quais, a proposta de se fazer coordenação dos transportes, dentro de um conceito de projeto a partir do que chamava de “linhas de menor resistência”, um termo criado como diretriz para o projeto de estradas, mas que servia também como eixo principal da sua visão dos transportes pelo ângulo intermodal, dando à questão política uma solução técnica e econômica, sobretudo de modos ferroviários, rodoviários e hidroviários, mas também aeroviários. Assim, fez uma revolução no ensino dos transportes na Escola Politécnica, não apenas criando o seu Departamento de Transportes, mas dividindo sua matéria de Estradas – sua Cátedra – em cinco disciplinas de estradas, aeroportos e coordenação dos transportes, para se juntar à de Portos. Fazendo-se então a reforma administrativa do Estado da Bahia, ao fim do governo de Lomanto Júnior, essa proposta foi inserida com a criação de um órgão para fazer Coordenação dos Transportes.

 

Na Escola, guardo sua imagem como professor que ensinava, conversando em sala de aula, não apenas para transmitir conteúdos que já estavam nos livros e nunca para ufanar-se pela quantidade de alunos reprovados, mas ao contrário e sobretudo, para estimular, em nós, uma visão conjunta dos transportes a partir do planejamento integrado na implantação e operação de vias, meios e terminais, tentando fazer-nos verdadeiros agentes para a execução desse projeto de integração, assim nos instruindo e transmitindo o seu ideal, na esperança de nos ver a prosseguir nesse caminho. Meu mestre Vasco Neto era, portanto, um idealista com os pés no chão, propondo-nos encontrar as linhas de menor resistência para viabilizar os projetos modais e intermodais.

 

Sua presença em sala de aula e seu discurso nos dois anos finais do curso de Engenharia Civil deram-me a certeza de que todas as matérias anteriores eram apenas subsidiárias para o grande objetivo que descobria, para a minha vida: planejar e projetar vias e terminais de transporte. Concluía-se a reforma administrativa do Estado da Bahia, com a criação de um órgão para fazer a coordenação dos transportes. Escrevi e publiquei no Jornal da Bahia um caderno especial sobre o assunto e enviei um exemplar para o então eleito governador Luís Viana Filho, no dia seguinte ao da minha formatura, recebendo dele, a resposta imediata de que na época oportuna me convocaria. Sem nunca o ter visto na minha vida, confiei e esperei, recusando outros convites para trabalhar em obras de estradas. No dia seguinte ao da sua posse, às 8 horas da manhã, o governador telefonou para minha casa e marcou a hora para encontrá-lo no Palácio Rio Branco. Disse-lhe que queria trabalhar na coordenação dos transportes e ele me mandou para a Secretaria dos Transportes, com um cartão em que dizia isso. O Secretário informou que ainda não tinha o Coordenador dos Transportes e perguntou-me se eu conhecia alguém. Eu lhe sugeri o nome de Vasco Neto, que ele festejou com um murro de entusiasmo na mesa, fazendo-me portador do convite, que levei na noite daquele mesmo dia para o meu Mestre, em sua casa. O que aconteceu depois de Vasco Neto ser nomeado para o cargo foi resultante de forças imensas que respondem pelo congelamento das estruturas do atraso, que impediram a implantação do novo órgão, no Estado da Bahia.

 

Costuma-se dizer que todo idealista é pobre. Ao contrário, o idealismo é a marca do Mestre que se enriquece de experiências e evolui com o sofrimento cotidiano imposto pelo egoismo de quem não consegue ver além das cortinas de suas janelas e fica limitado a esse ambiente interior. Ao contrário, o Mestre expande-se no espaço e no tempo, tornando-se rico na imortalidade. Vasco Azevedo Neto já é imortal… Mais do que professor, ainda é o meu mestre. Aprendi com ele, que o professor apenas ensina e instrui, mas o mestre estimula e conduz, com o seu exemplo, com sua razão, com o exercício da ideia que flui racionalmente até sua realização. Procurei aplicar isso anos mais tarde, ensinando nesta escola, a disciplina Estradas e Transportes I, uma das que ele criou e ensinou.

 

Não há prêmio maior para um discípulo, do que o de sentar na cadeira do seu Mestre.

 

Autor:

Adinoel Motta Maia é engenheiro e professor aposentado da Escola Politécnica da Ufba.

Pronunciamento proferido nas homenagens a Vasco Neto, em março/2016.

 

Os 100 anos do professor Vasco Azevedo Neto foram amplamente comemorados na Bahia, em março. As homenagens incluiu uma mesa redonda promovida pelo Instituto Politécnico da Bahia (IPB) na Escola Politécnica da Ufba. Na solenidade foi inaugurada uma ala do Departamento de Transportes com o nome de Vasco Neto. Além de engenheiro e professor, Vasco Neto foi deputado federal por quatro mandatos consecutivos, entre 1970 e 1986. Ele foi responsável pela criação do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da Ufba e idealizou o projeto de construção da Ferrovia Oeste-Leste, defendendo o fortalecimento do sistema ferroviário como opção para impulsionar a economia brasileira. Ainda em construção, a Ferrovia de Integração Oeste Leste-FIOL, com 1.527 km de extensão, estabelecerá à comunicação entre o porto em Ilhéus e as cidades baianas de Caetité e Barreiras a Figueirópolis, no Tocantins.

 

Vasco de Azevedo Neto faleceu no dia 25 de fevereiro de 2010, aos 94 anos. 

Leia artigo do engenheiro e professor Adinoel Motta Maia sobre o professor Vasco Neto.

Inovação – Engenharia para acessibilidade

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Dos mais de 205 milhões de habitantes do País, 22,2% têm algum tipo de deficiên­cia. É o que aponta o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010. A esses cerca de 45,6 milhões de brasileiros, a tecnologia assistiva pode ser uma valiosa porta para inclusão na sociedade. Um exemplo é o projeto de uma cadeira de rodas com comando de voz, a única no Brasil, coordenado por Gustavo Peglow Kuhn, aluno do segundo semestre de Engenharia Elétrica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense (IFSul).

O equipamento começou a ser desenvolvido em 2008, sob a supervisão do professor Rafael Galli, com a implantação do reconhecimento de voz e, em 2015, teve o aprimoramento feito por Kuhn. “O meu trabalho foi tornar o controle vocal rápido e fácil para o usuário, preocupando-me principalmente com a segurança”, conta o estudante. No protótipo, foi utilizado o sistema de leitura TalkBack, do Google, possibilitando que o usuário dê os comandos remotamente por meio de um smartphone com Bluetooth (a uma distância de até 50 metros, sem obstáculos), ou apenas com a fala, estando na cadeira. Segundo Kuhn, o objetivo do reconhecimento de voz é a não necessidade da utilização das mãos, possibilitando o uso nos casos de tetraplegia. O mecanismo, que teve um custo de produção por volta de R$ 275,00, ainda precisa ser adaptado aos padrões do mercado, mas o estudante aposta na venda como “um upgrade para qualquer cadeira de rodas”.

Para substituir as pranchas de papel usadas por pessoas com paralisia cerebral ou qualquer dificuldade que impossibilite a comunicação oral, a Métodos Soluções Inteligentes desenvolveu o aplicativo “Que Fala!”. Daniel Barbosa, engenheiro eletricista e um dos criadores, viu a oportunidade com a eclosão dos tablets, quando cursava a pós-graduação em tecnologia assistiva. “O que nós possibilitamos é que o paciente utilize algo que fale por ele, sem que o receptor da mensagem tenha que adivinhar, como acontece com as pranchas de papel”, explica.

O “Que Fala!” foi desenvolvido em 2011 e, no ano seguinte, já estava no mercado. O usuário baixa o aplicativo gratuitamente, depois cria uma conta no site da plataforma e paga por pacotes de edição da prancha digital, podendo colocar palavras, frases e imagens como quiser.

Feita a edição, o uso do programa independe do acesso à Internet. Barbosa indica que o ideal é fazer a edição com um profissional de terapia ocupacional ou fonoaudiólogo. Hoje, o aplicativo tem mais de 20 mil downloads e de 6 mil contas no site e acima de 800 pagantes fixos em todo o País.

A ONG Mais Diferenças, focada em educação e culturas inclusivas desde 2005, pensou principalmente na possibilidade de lazer ao criar o WhatsCine, um facilitador com audiodescrição, legenda em libras para acessibilidade em cinemas e teatros. É necessário que a pessoa com deficiência tenha o aplicativo em um smartphone ou tablet e que a sala de cinema transmita o filme com o conversor também desenvolvido pela ONG. O conversor precisa apenas de um notebook e um roteador de sinal para sincronizar o filme com as janelas do software.

Para Luis Henrique Mauch, coordenador da instituição, a estrutura do aplicativo é simples, “mas o resultado na vida do usuário é imensurável”.

NECESSIDADE DE AVANÇOS

Apesar dos vários bons projetos, a demanda por inovações que propiciem inclusão ainda está longe de ser atendida. Estudo realizado em 2013 pelo Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil) apontou as instituições acadêmicas como as principais responsáveis (81,7%) pelo desenvolvimento de tecnologia assistiva, cuja oferta ainda é muito reduzida. Nos anos de 2007 e 2008, havia apenas110 projetos do gênero em todo o País e concentrados nos estados do Rio Grande do Sul (33%), São Paulo (24,8%) e Rio de Janeiro (15,6%).

Com base nesses dados, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) tem como programa de pesquisa de iniciativas na área o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Tecnologia Assistiva (Dtita), que conta com uma equipe desenvolvedora de projetos patrocinados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Uma das ideias geradas pelo incentivo é o estudo de uma lousa digital com caneta sensor com resposta motora, que tem o objetivo de possibilitar a escrita e leitura por pessoas com deficiência visual pela sensação tátil.

Em vigor desde 2 de janeiro último, o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/2015) deve trazer estímulos às tecnologias para acessibilidade, já que determina sua obrigatoriedade e também estabelece incentivos à contratação pelas empresas de funcionários com deficiência. “Com a lei, o deficiente terá auxílio financeiro, ingressando no mercado de trabalho, um dinheiro que é utilizado na compra de cadeiras motorizadas, próteses ou qualquer outra solução tecnológica que ajude na vida dele”, aposta a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP).

Para Barbosa, que desenvolveu o “Que Fala!”, a nova legislação significa investimento para mais projetos e pesquisas, o que é mais que necessário. “No Brasil, a pessoa que quiser uma cadeira motorizada tem que estar disposta a pagar até R$ 12 mil ou aguardar (doação) em uma fila de uma instituição”, critica.

O professor Galli, do IFSul, aponta também a necessidade de reduzir os entraves burocráticos para que haja avanços e as novas ideias cheguem ao mercado. “O projeto chega a ficar um ano esperando pela patente. Há uma demora excessiva para entrar em processo de testes também”, atesta.

* Por Jéssica Silva. Matéria, originalmente, publicada no jornal Engenheiro, da FNE, nº 165, de fevereiro de 2016

Comissão de Deputados vai acompanhar a situação do extinto Derba

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O conselheiro da Abenc-BA, engenheiro Luis Claudio Vargas Silva, compareceu à sessão plenária realizada no dia 25 de fevereiro, na Assembleia Legislativa, cuja pauta centralizava na situação funcional dos servidores do extinto DERBA. Acompanhe a matéria sobre o assunto, publicada no site http://municipiosbaianos.com.br/

 

Uma comissão especial (suprapartidária) de deputados estaduais será formada no âmbito da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo da Assembleia Legislativa para acompanhar a situação funcional dos servidores do extinto Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia (Derba), avaliar a situação da malha rodoviária estadual, boa parte necessitando de reparos e estudar a viabilidade de reestruturação da autarquia, extinta há um ano, no bojo da reforma administrativa do governador Rui Costa.

 

A proposta foi feita pelo deputado Hildécio Meireles (PMDB), presidente do colegiado, e aprovada por todos presentes durante a Sessão Especial que, por iniciativa do próprio parlamentar, discutiu a situação funcional dos servidores do antigo Derba, na tarde do dia 25 de fevereiro, no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia.

 

A extinção do Derba, em 28 de fevereiro do ano passado, quando estava prestes a completar 98 existência, continua a repercutir em todo Estado e até fora da Bahia, como demonstrou a Sessão Especial na ALBA.

 

Tanto que durante o evento, o representante da Ordem os Advogados do Brasil, secção da Bahia (OAB-BA), Franklin Gomes, anunciou que a entidade irá realizar uma audiência pública, em sua sede, na Piedade em Salvador, para debater o fechamento do Derba, suas consequências e discutir também a necessidade do retorno da autarquia.

 

PLENÁRIO LOTADO

Mais de duzentas pessoas, da capital e do interior do estado, principalmente das vinte cidades onde o Derba mantinha Residências de Conservação e Manutenção, lotaram o plenário, inclusive as galerias, da ALBA durante a Sessão Especial.

 

O presidente da Asderba/Sindicato, Nilton Borges Ramos foi enfático, ao considerar a extinção do Derba “o começo do caos na rede rodoviária da Bahia, como mostra a deterioração da maior parte das estradas”. Segundo Ramos, a luta pelo retorno do Derba continua, “agora mais forte depois da Sessão especial desta quinta-feira”.

 

Depois da extinção, os servidores remanescentes reclamaram de perseguição e assédio moral. Na manha desta quarta-feira, eles fizeram um protesto no pátio do prédio do Tribunal Regional do Trabalho, exigindo o cumprimento de sentenças favoráveis a direitos trabalhistas], como o pagamento de precatórios que vem se arrastando há mais de dez anos.